Energia Eolica

Dezembro 06 2011

A Escócia aprovou nesta semana a implantação de uma turbina eólica offshore gigante - tecnologia responsável por gerar energia usando os ventos que sopram sobre mares e oceanos. A turbina de 6MW será construída no Fife Energy Park, em Methil, costa leste escocesa.


Elaborado pela companhia holandesa 2-B Energy, fundada em 2007 e já referência no ramo, o projeto terá duas lâminas horizontais (diferentemente dos tradicionais modelos com três lâminas verticais) e ficará a uma altura de 27,4 metros do nível do mar.

 

O protótipo prevê um heliponto no topo para facilitar a manutenção e fazer reparos do equipamento. Apresentada em abril de 2010, a nova tecnologia de duas lâminas é um dos grandes desafios relacionados aos parques eólicos offshore.

 

Isso porque muitos dos projetos eram baseados no sistema onshore (em superfície terrestre), o que não fazia sentido dadas as limitações de ruídos e a diferença de tamanho entre um campo no mar e um na terra.

 

Por essa razão, a 2-B Energy teve de começar do zero e criar algo inovador capaz de reduzir custos e aumentar a produtividade. O atual projeto prevê menos manutenção, devido ao número reduzido de peças, e maior acessibilidade.

 

De acordo com o Ministro da Energia escocês, Fergus Ewing, o objetivo é alcançar 100% de energia renovável e, no futuro, transformar o local em um centro internacional de energia verde para toda a Europa.

 

A ideia é ambiciosa, já que os 6MW propostos são suficientes para abastecer cerca de 6.000 de casas. Se concretizada, no entanto, a Escócia será a primeira nação com energia totalmente autossustentável.

 

"A energia eólica é considerada uma das principais soluções para o aquecimento global. Além de ser renovável, não é poluente e pode substituir fontes de combustíveis fósseis, o que auxilia na redução do efeito estufa", explica Luiz Antonio Rossi, pesquisador do Nipe (Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético) da Unicamp, onde desenvolve pesquisas na área de fontes renováveis. Segundo ele, a energia eólica é bastante promissora por ser mais barata do que qualquer outra.

 

Alguns especialistas no tema consideram a tecnologia offshore mais eficiente do que a onshore, embora a instalação seja mais complexa. O motivo seria a maior quantidade de ventos provenientes do litoral e a redução dos problemas causados pelos ruídos das lâminas, já que estão afastadas dos grandes centros populacionais.

 

Um dos fatores cruciais para o desenvolvimento da eólica offshore foi a disponibilidade de novos materiais, como as fibras de vidro e carbono. Por não sofrer com a corrosão provocada pelo ambiente marinho, as pás podem ser maiores, mais fortes e leves.

 

Turbinas eólicas brasileiras


Comum em países europeus e nos Estados Unidos, a turbina offshore, como a que será instalada na Escócia, não é vantagem para o Brasil, de acordo com o pesquisador da Unicamp (Universidade de Campinas).

 

"Ainda temos um grande campo de pesquisa em terra. E a exploração offshore é mais cara do que a onshore, pois exige tecnologia específica, como, por exemplo, a construção de cabos subterrâneos do oceano para a terra", explica Rossi.

 

Para o pesquisador do Nipe, a Escócia está cerca de 20 anos à frente do Brasil no que diz respeito à energia eólica.

 

Como os recursos em terra já estavam esgotados, o país europeu partirá para a captação no mar, o que não deixa de ser uma vantagem, já que os ventos são constantes e os equipamentos --maiores e mais modernos-- geram uma grande quantidade de energia.

 

Segundo Rossi, a capacidade atual de geração de energia eólica no Brasil é de 835 MW. Embora possua o maior parque gerador da América Latina, o país é o 21º no ranking mundial da World Wind Energy Association.

 

O grande impedimento para o avanço da produção nacional é o fato de que ainda há um grande potencial de recursos hídricos para esse fim.

 

 

Fonte: Folha online

publicado por adm às 23:38
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