Energia Eolica

Julho 23 2013

O presidente do consórcio Eólicas de Portugal (ENEOP), responsável pela instalação de 1.200 Mega Watt (MW) de potência eólica, admitiu hoje que existem condições para atribuição de mais de 500 MW para produção daquela renovável em Portugal.

Segundo Aníbal Fernandes, a análise ao mercado da electricidade em Portugal, numa altura em que o consórcio ENEOP já instalou 1.000 MW da licença de que dispõe, permite concluir que "há espaço" para mais cerca de 500 MW de potência eólica em terra.

Questionado pela Lusa, o responsável admitiu que o consórcio ENEOP estaria disposto a analisar esse cenário, caso venha a ser equacionado pelo Governo. Até porque, além da "necessidade" que identifica, as fábricas daquele cluster eólico instaladas em Portugal, que empregam directamente cerca de 1.850 pessoas, "têm capacidade para dar resposta" a essa eventual procura.

"Estou convencido que os accionistas [da ENEOP] olhariam para isto com muita satisfação", admitiu Aníbal Fernandes, à margem da visita do Comissário Europeu da Energia, Günther Oettinger, às fábricas do consórcio em Viana do Castelo.

Em Abril de 2013, segundo números da Direcção-Geral de Energia e Geologia, estavam licenciados em Portugal 4.460 MW de potência eólica, em 224 parques de várias concessões.

O presidente da ENEOP recorda que, há dois anos, que a atribuição de novos pontos de ligação de potência renovável "está congelada".

No entanto, para que todo o projecto industrial que aquele cluster instalou em Portugal desde 2005 seja sustentável, será necessário garantir a componente da procura interna a partir de 2014, ou seja para 40% da produção actual.

"O facto de não haver uma política clara de continuidade na instalação de energia eólica em Portugal é mais um entrave, como aqueles que já superamos. Não estou a dizer que os postos de trabalho estão em risco, estou a dizer é que não ajuda nada a manter os postos de trabalho", sublinhou.

"O projecto em si poderá estar comprometido. Estamos é determinados a encontrar todas as soluções para, através da exportação, superar esta falha interna", disse ainda Aníbal Fernandes.

Em Portugal, o consórcio ENEOP já investiu 1,3 mil milhões de euros, dos quais 188 milhões em novas unidades industriais, lideradas pela alemã Enercon, um dos gigantes mundiais na produção de aerogeradores.

Aquele consórcio junta ainda empresas como a EDP e a Finerge, tendo criado mais de 5.000 empregos indirectos e um total de 19 fábricas.

Da licença atribuída em 2005, cerca de 1.000 MW já estão ligados à rede eléctrica nacional, em 41 parques eólicos.

Só em Viana do Castelo, representa actualmente cerca de 1.400 postos de trabalho nas cinco fábricas da Enercon.

Por este volume de investimento, o consórcio ENEOP recebe 70 euros por cada Mega Watt hora produzido nos respectivos parques, a mais baixa tarifa da Europa, sublinha Aníbal Fernandes.

Os restantes 200 MW a instalar até final de 2014 em todo o país representam um investimento de 350 milhões de euros, cujo financiamento ainda não está totalmente garantido neste momento.

"Esta é a maneira mais competitiva, tirando as grandes hídricas que estão amortizadas, de fazer energia eléctrica em Portugal. É um projecto sustentável, não há motivo racional nenhum para que não seja apoiado com a abertura de novos concursos de potência", rematou.

fonte:Lusa/SOL

publicado por adm às 23:05

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