Energia Eolica

Dezembro 19 2010

Em Pipestone, Minnesota, estão as três únicas turbinas eólicas de fabricação chinesa em operação nos EUA. Mas isso pode mudar quando a Goldwind USA e outras empresas sob controle chinês implementarem seus planos para um forte avanço no mercado norte-americano, nos próximos meses. Alguns afirmam que os chineses devem ser recebidos de modo positivo, devido aos empregos ecológicos que criarão e a aceleração que seu equipamento propiciará na adoção de fontes renováveis de energia pelos EUA. Outros consideram que a presença deles será uma ameaça ao emprego e aos lucros do setor nos EUA.

 

- Não podemos ficar inertes enquanto a China toma a liderança na produção de energia limpa -  disse o senador democrata Sherrod Brown, durante debate sobre subsídios federais à energia eólica, alguns meses atrás. 

Sentimentos como esse ajudam a explicar por que a Goldwind dá uma fachada norte-americana aos seus esforços e divulga planos que envolvem mais que a simples importação de equipamentos chineses de baixo custo. "A abordagem da Goldwind é a de que vamos construir uma estrutura orgânica norte-americana", disse o texano Scott Rowland, vice-presidente de engenharia da empresa e antigo funcionário da First Wind, uma companhia de criação de centrais eólicas de Boston. 

Ao entrar no mercado norte-americano, a indústria chinesa chega a um líder mundial em capacidade de geração de energia eólica, com cerca de 41 gigawatts. Apenas a China gera mais, cerca de 43 gigawatts, ainda que para uma população mais de quatro vezes superior à dos Estados Unidos. 

Os problemas na economia dos Estados Unidos, os preços baixíssimos do gás natural e as questões persistentes sobre a política federal de energia eólica vêm bloqueando o avanço do setor nos EUA. No momento, ele responde por apenas 85 mil empregos. Até mesmo a líder do mercado norte-americano, a General Electric, reportou queda acentuada em suas vendas de turbinas no terceiro trimestre, ante o mesmo período do ano passado. 

Tudo isso parece indicar que as perspectivas de mercado para as chinesas são modestas. Mas essas companhias podem jogar na espera, porque contam com grande apoio do governo chinês, na forma de empréstimos a juros baixos e outras vantagens. A Goldwind é a divisão norte-americana de uma estatal chinesa que se tornou a quinta maior fabricante mundial de turbinas: a Xinjiang Goldwind Science and Technology Company. 

Para ajudar a financiar seus esforços internacionais, a Xinjiang Goldwind levantou cerca de US$ 1 bilhão em capital com uma oferta pública inicial de ações em Hong Kong, em outubro. Também dispõe de linha de crédito a juros baixos de US$ 6 bilhões oferecida pelo Banco de Desenvolvimento da China. 

As turbinas eólicas fabricadas por empresas chinesas custam em média US$ 600 mil por megawatt, ante US$ 800 mil ou mais para os modelos ocidentais feitos com componentes chineses. Os preços são ainda mais altos para as máquinas europeias e norte-americanas. No entanto, bancos ocidentais vêm hesitando em fazer empréstimos para projetos eólicos que adquiram equipamento chinês devido a preocupações quanto à confiabilidade deles, de acordo com Robert Todd, diretor do grupo de energia renovável, recursos naturais e energia do banco HSBC, em Hong Kong. 

Mas há poucos outros projetos de grande porte em curso. A Associação Americana de Energia Eólica estima que neste ano apenas 5.500 megawatts de capacidade nova venham a ser instalados nos Estados Unidos. Isso equivale a apenas metade do total de 2009 e fica bem abaixo dos 17,6 mil megawatts, ou mais, que estão sendo instalados na China. 

Os defensores da entrada dos fabricantes chineses afirmam que a disponibilidade de turbinas chinesas de baixo custo e o financiamento generoso que os bancos estatais chineses oferecem aos compradores podem recolocar o setor eólico no caminho do crescimento. "A energia eólica nos Estados Unidos está em estado desordenado devido à falta de recursos", disse Andrew Hang Chen, presidente da Usfor Energy, uma consultoria de Pittsburgh que assessora o governo da China e as estatais de energia eólica.

(Fonte/Jornal da Ciência (SBPC e The New York Times)

publicado por adm às 20:33

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