Energia Eolica

Maio 07 2011

O Rio Grande do Norte inscreveu 119 projetos eólicos nos leilões A-3 e de reserva do Ministério de Minas e Energia. Juntos, os projetos representam 5.764 mil MW de energia elétrica. A informação foi repassada ontem pelo ex-ministro e atual secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermamn, durante audiência pública, proposta pelo deputado estadual Walter Alves. O número ainda não é definitivo. Os processos ainda passarão pela fase de habilitação. Embora o Ministério não tenha antecipado se o RN se mantém como líder em número de projetos, afirmou que a  quantidade de energia proposta para ser produzida no estado supera a meta nacional, que é de 5 mil MW por ano.     

 

A quantidade de energia proposta para o RN, segundo Jean Paul Prates, ex-secretário estadual de Energia e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), é um pouco maior que a registrada nos últimos leilões, e mostra que, apesar dos entraves, há mercado. Ele estima que do total de projetos inscritos, 40% sejam aprovados, representando pouco mais de mil MW. A taxa de aprovação é a melhor do País e, se atingida, garantirá a liderança do RN na próxima disputa, agendada para julho deste ano. O novo leilão,  considerado o mais competitivo de todos, marcará uma melhor distribuição dos parques eólicos no Rio Grande do Norte, segundo Prates. E também garantirá cifras robustas em investimentos no estado. Cálculos do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Benito Gama, apontam que os investimentos poderão chegar a R$12 bilhões.

A audiência também abordou os entraves do setor. Entre eles, a falta de uma rede de transmissão. Para Flávio Azevedo, presidente da Federação das Indústrias do RN (Fiern), a falta de infra-estrutura pode afugentar investidores e estigmatizar o estado. Flávio relembra que os 61 parques aprovados nos últimos leilões ficarão prontos antes da linha de transmissão, que escoará a energia produzida. Além de causar prejuízo aos investidores,  a falta de conexão causaria insegurança nos investidores que desejam se instalar no estado, segundo ele. Segundo Maurício Vieira dos Santos, diretor de desenvolvimento da empresa australiana Pacif Hydro, a falta de infraestrutura pode limitar os investimentos do grupo no RN. “Prospectamos estados que tenham acesso, conexão e vento. Se algum estado não tem conexão, procuramos outro.  Isso é fato”, afirma. 

Flávio Azevedo, da Fiern, prefere não apontar culpados. “O Nordeste não tinha uma boa infraestrutura, porque não tinha demanda, era pouco industrializada e o consumo de energia elétrica, baixo. De repente, isso mudou e nossa rede de distribuição de energia não estava preparada para isso. Não tem nenhum culpado. Mas existe um problema e ele precisa ser priorizado pelo governo federal”, afirmou. Segundo Zimmermamn, a falta de conexão não é ‘privilégio’ do Rio Grande do Norte. “A usina de Jirau ficará pronta antes da linha de transmissão”, exemplificou. Apesar dos percalços, afirmou que os investidores continuarão investindo no RN e que o governo federal tentará antecipar a conclusão do linhão para maio de 2013, informação antecipada pela Tribuna do Norte, em matéria publicada no dia 05 de abril.

Eólica interioriza desenvolvimento

Avaliada como produtiva pelo deputado estadual Walter Alves (PMDB), a audiência pública reuniu governo estadual, federal, investidores e órgãos ambientais. “A discussão mostrou o interesse do governo estadual e federal no sentido de resolver o problema o mais rápido possível”, avaliou. A meta, segundo ele, é transformar o Rio Grande do Norte num pólo produtor e exportador de energia eólica, o que só poderá ser alcançado com mais investimentos em infra-estrutura. A energia eólica, para Walter, é a chance de interiorizar o desenvolvimento econômico, melhorar os indicadores sociais e mudar a realidade dos pequenos municípios potiguares. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (Sedec), 13 municípios potiguares já estão recebendo investimentos em energia eólica. João Câmara e Parazinho recebem  50% de todos os investimentos previstos.

Segundo Walter,  o governo tem se mostrado bastante sensível diante dos entraves enfrentados pelos investidores. “A energia eólica pode mudar nossa matriz econômica, baseada no passado, no tripé boi, algodão e minério. Vamos transformar o RN no pólo industrial de energia eólica, mas para isso, é preciso superar alguns entraves, agilizando a concessão do licenciamento ambiental, construindo a linha de transmissão, melhorando as rodovias e ampliando o porto”.

Para discutir a construção do ‘linhão’, que permitirá o escoamento da energia produzida, Walter Alves convidou o ex-ministro e atual secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmermamn, que destacou o esforço realizado pelo governo federal para antecipar a conclusão do linhão para maio de 2013. Caso não consiga antecipar a conclusão, a Agência Nacional de Energia Eólica (Aneel), que regulamenta o setor, adiará a operação dos parques eólicos para setembro de 2013, como ficou acordado com o governo federal.  

A audiência também contou com a participação do ministro da previdência Garibaldi Alves, do líder do PMDB na Câmara dos deputados, Henrique Alves, e do deputado federal, Agnelo Alves.

Perspectiva para o setor é de expansão

Apesar dos entraves, a perspectiva para o setor eólico é de crescimento. A participação da energia eólica na matriz energética brasileira pode subir 1.900% nos próximos dez anos, chegando a 20%, em 2020. Atualmente, a eólica corresponde a 1% da matriz, segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABBEólica). Para Zimmermann, do Ministério de Minas e Energia, a meta anunciada pela ABBEólica é ‘razoável’. “Acredito que podemos alcançá-la, considerando a forma como a energia eólica tem se comportado até o momento. Acho que é uma meta razoável”. Segundo ele, um brasileiro consome, em média,  2,3 mil KW/H por ano, o que é considerado baixo, se comparado ao de países desenvolvidos. Um norte-americano, por exemplo, consome aproximadamente  14 mil  KW/H por ano – quase seis vezes mais do que no Brasil. É neste consumo que Zimmermann está de olho. A diferença é que no Brasil boa parte da energia pode ser gerada de forma limpa. “Um país que precisa multiplicar seu  consumo per capita por seis não pode abrir mão das energias renováveis”, diz.

Apesar de crescer 30% ao ano no mundo, a energia eólica ainda dá seus primeiros passos no Brasil. No RN, ela passou por diversas fases e hoje se encontra na fase de relativa decepção, dizJean-Paul Prates. “O setor passou pela fase de ceticismo, pela fase da euforia e passa pela fase de relativa decepção diante dos entraves que o estado enfrenta”, relata. Segundo ele, o estado vive uma ‘curva de conhecimento’. Ninguém imaginava que o País, e principalmente, o RN receberia tantos investimentos. 

Longo prazo

“O Rio Grande do Norte precisa começar a se planejar a longo prazo, visando o futuro”. Essa é a opinião de Maurício Vieira, da Pacific Hydro, uma das empresas que investem no setor eólico. Para ele, os problemas já conhecidos devem ser resolvidos logo. “Todos sabemos do problema do porto, dos acessos, dos licenciamentos. Eles têm que ser resolvidos, mas de forma planejada a longo prazo. Não adianta fazer alguma coisa pontual”, disse. Hoje a Pacific, cuja matriz fica na Austrália, atua em dois projetos eólicos na Paraíba. “Nós participamos dos leilões anteriores aqui no RN, mas não vencemos. Mas temos projetos e vamos continuar tentando atuar no estado.  Prova disso é que dos 40 funcionários da Pacific, 20 estão aqui neste Estado”.

Secretário admite “gargalos” e diz que governo está atento

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Norte (Sedec), Benito Gama, admitiu que ainda há “gargalos” no setor eólico potiguar, mas reafirmou que “eles já são de conhecimento do Governo, que continua tentando resolvê-los”.

“Esses gargalos são o porto de Natal, que precisa ser ampliado para receber equipamentos maiores; rodovias e ferrovias que comportem o transporte de peças; a construção do linhão de transmissão; e ainda o problema  dos licenciamentos ambientais”, disse. Desses, o único que é de competência do Governo Federal é a construção do linhão.

Recentemente a governadora  esteve com o ministro [de Minas e Energia, Edison Lobão] e apresentou uma lista de pedidos. “Ou seja, o Governo está atento”, ressaltou. Benito Gama disse também que a expectativa é de muitos investimentos no setor num curto espaço de tempo. Os negócios do setor, atualmente, giram em torno de R$ 8 bilhões. “Creio que ainda este ano estejamos produzindo cerca de 50% da energia eólica do Brasil. Esse número mostra que somos capazes e que estamos preparados para receber mais investidores”, completou.

fonte:http://tribunadonorte.com.br/

publicado por adm às 17:25
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