Energia Eolica

Agosto 31 2011

Hoje, a energia eólica é menos de 1% da matriz elétrica do País. Até 2014, será 5%. Setor se reúne no WindPower

O setor de energia eólica do Brasil quer um centro de pesquisa, novos mercados de comercialização, desoneração tributária e infraestrutura logística. É com este pleito que a energia eólica entra em debate, de hoje até sexta-feira, durante o Brazil Windpower, no Rio de Janeiro com a presença de investidores, prestadores de serviço, pesquisadores e representantes do setor de todas as partes do mundo.

"Todos os grandes fabricantes no Brasil e no mundo estarão presentes. Destaque para dois grupos chineses Sinovel e Goldwind, que não estão no País", ressalta Lauro Fiuza, vice-presidente da Abeeólica, entidade organizadora do evento, junto com a GWEC (Global Wind Energy Council - Conselho Mundial de Energia Eólica). "Em função do prestígio alcançado com os leilões desde 2009, o Brasil atraiu o evento após disputar com o México para ser sede na América Latina. A GWEC realiza eventos deste porte na Europa, Estados Unidos e China".

Para Fiuza, com o último leilão de energia, o País atingiu "posição ímpar". "Hoje, temos a menor tarifa eólica no mundo inteiro. Com o potencial contratado, que deve ser instalado até 2014, a energia eólica vai representar 5,4% da carga instalada de energia elétrica do País, metade do percentual da Europa".

A GWEC reconhece o incentivo que os leilões trouxeram ao setor e o potencial do País. "O Brasil é um gigante que dorme, em relação a energia eólica, mas está acordando", afirma o secretário geral da GWEC, Steve Sawyer. "O País tem um grande potencial e graças aos leilões, esperamos que cerca de 7,240 GW de energia eólica estejam operando até 2015".

Lauro Fiuza diz que o "gigante" já acordou. "E já está em movimento", acrescenta. O Brasil tem 1 GW em energia elétrica funcionando. "Estamos entusiasmados e otimistas com o potencial", diz. "Foi uma inserção suave, mas forte". Há cinco anos não existia energia eólica na matriz elétrica", completa.

1º fabricante brasileiro

Com o potencial dos fortes ventos e incentivos dos leilões, ainda não existe um fabricante de equipamentos eólicos brasileiro. Todas as marcas em operação são estrangeiras. Algumas já instalaram fábricas no País. Mas a primeira genuinamente brasileira será a gaúcha WEG, maior fabricante de motores elétricos do País, que formou uma joint venture com a espanhola M. Torres Olvega Industrial, e se torna fornecedora de soluções completas (em sistema turn-key) para o segmento. De Norte a Sul do Brasil, a empresa já entregou transformadores, inversores de frequência, motores e tintas para o mercado eólico e, em breve, fornecerá aerogeradores, complementando o portfólio.

Pesquisa

Segundo Fiuza, a preocupação da Abeeólica para o desenvolvimento desta cadeia produtiva é com o incentivo do governo para um centro de pesquisa, destinado para equipamentos específicos. "É o primeiro passo para a indústria brasileira desenvolver-se para o setor", afirma. "Assim, estaríamos seguindo os passos da Espanha, que começou com a atração de estrangeiros. Hoje, um dos maiores fabricantes do mundo é a espanhola Gamesa, que está construindo uma fábrica na Bahia. "Um centro de pesquisa é o caminho natural para desenvolver a cadeia do produto nacional".

O diretor comercial da Wobben, Eduardo Leonetti Lopes, diz que a consolidação do mercado ocorrerá com a instalação de dois GW por ano, o que ocorrerá com a continuidade dos leilões. "Este é um panorama interessante para o mercado brasileiro", afirma. "Outra expectativa é a viabilidade de projetos no mercado livre e de auto-produção. São alternativas para novos mercados". Um dos incentivos, diz ele, seria a redução de impostos na cadeia produtiva.

Para o presidente da Suzlon Brasil, Arthur Lavieri, o mercado precisa de perenidade. "Ao menos dois leilões ao ano permitiriam uma melhor distribuição de esforços", afirma. "Leilões dedicados são também necessários, posto que evitaríamos distorções entre as fontes. A eólica precisa ter o seu próprio espaço no mercado livre e existem projetos para permitir e regular esta inserção".

De acordo com ele, o Brasil tem tudo para se tornar um centro desenvolvedor de produtos, tecnologia e conhecimento para a América Latina. "O Brasil já acordou para a geração eólica. A prova disso foram os leilões. Para acelerar este desenvolvimento alguns pontos precisam ser enfocados, como a formação de mão de obra qualificada, a solução dos gargalos em infraestrutura e logística e, principalmente, a desoneração fiscal a fim de reduzir a incidência de impostos em cascata. Estes pontos são importantes num momento em que buscamos consolidar a indústria nacional, criar tecnologia e capacidade aqui".

PELA 1ª VEZ
Marco regulatório do Brasil é discutido

Entidades lançam estudo que fornecerá uma análise detalhada do mercado brasileiro de energia eólica

O Global Wind Energy Council (GWEC) vai lançar um relatório, durante o Windpower, sobre o cenário de energia eólica no Brasil. O estudo observa o setor, que vem sendo estimulado por dois modelos muito diferentes: o Proinfra (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica), que foi introduzido em 2002, e os leilões regulados, que ocorrem anualmente desde 2009.

Como resultado de ambos os esforços, a expectativa é que mais cinco gigawatts (GW) de energia eólica poderão ser instalados no Brasil até o final de 2014, somando 85 usinas eólicas. Destas, 57 estão em operação e 30, em construção. Outros 130 parques foram outorgadas pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), mas ainda não saíram do papel.

Estudo

Este estudo, realizado com a colaboração da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), intitulado "Uma análise do marco regulatório para a geração de energia éolica no Brasil", fornecerá uma análise detalhada do mercado brasileiro de energia eólica.

Nele, são avaliados os efeitos das abordagens regulatórias até o momento, analisa o mercado e a indústria, aponta obstáculos e desafios e oferece recomendações para melhorias legislativas no Brasil. Para a apresentação do documento a mesa de debate será presidida por Steve Sawyer, secretário-geral do GWEC, e terá como palestrantes Ricardo Simões, presidente da Abeeólica; Lauro Fiuza Jr, vice-presidente da entidade brasileira; e Ramón Fiestas, diretor do Comitê Latinoamericano da GWEC. (CC)

CAROL DE CASTRO
REPÓRTER

fonte:http://diariodonordeste.globo.com/

publicado por adm às 12:13
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