Energia Eolica

Fevereiro 25 2011

Polónia e Roménia concentram um terço do investimento da EDP Renováveis e compensam menor procura do mercado norte americano.

França promete ser, depois do Reino Unido, o próximo alvo da EDP na área da energia eólica ‘offshore'. A empresa liderada por Ana Maria Fernandes está já a analisar o concurso que o governo de Paris irá lançar. Um projecto onde admite participar apenas em consórcio, de modo a partilhar risco e ‘know how' à semelhança da parceria realizada com a SeaEnergy para o mercado escocês, onde conquistou recentemente 1.3 GWh, no concurso UK Round 3.

"Estamos em processo de estudo, mas será sempre na perspectiva de diversificação do portfólio e de parceiros", adiantou Rui Teixeira, administrador para a área financeira da EDP Renováveis à margem da conferência de imprensa para apresentação de resultados. Para logo a seguir acrescentar: "Será sempre na mesma lógica de negócio do projecto do Reino Unido".

 

fonte:http://economico.sapo.pt

publicado por adm às 23:30

Maio 06 2010

 

A indústria eólica dedicou-se no seu início às turbinas para aplicações em terra, mas teve sempre o seu olho nas aplicações marítimas. Várias razões podem ser apontadas para este interesse:

  • Maior recurso – o vento no mar sopra em média durante mais horas e com mais força do que em terra -> esse acréscimo pode ir até 50% de acordo com estudos da Agência Internacional de Energia
  • Ausência de barreiras orográficas ou de terrenos para transpor – o mar é liso e o acesso é feito de barco com muito menos restrições que em terra
  • Não existem populações na vizinhança ou preocupações de poluição sonora e mesmo visual
  • Possibilidade de instalar maiores turbinas e portanto ser capaz de se atingirem melhores retornos energéticos e reduzir custos


Voltando ao eólico “onshore” este também tem algumas vantagens sobre o offshore:

  • não imersão em fluidos altamente corrosivos
  • não sujeição a tempestades marítimas
  • possibilidade de beneficiar de concentradores naturais em terra como são os vales e sopés de montanhas
  • facilidade de acesso para instalação em termos de meios necessários
  • possibilidade de instalar vários tamanhos de acordo com o recurso disponível e não obrigatoriamente grandes modelos

Colossos actuais como a Vestas começaram por instalações “onshore” e foram assim aperfeiçoando os seus modelos e técnica, bem como padronizando e simplificando a cadeia de fornecedores e de componentes até ser competitiva com os combustíveis fósseis. Actualmente temos como benchmark da tecnologia custos por MW instalado de 1 a 2 milhões  de euros ou USD (dependendo da localização) em termos de custos reais e de amostragem dos projectos actuais. Em termos de custos de operação e manutenção temos por MWh 10 a 12 € para os projectos desta década e mais do dobro para os projectos mais antigos. Nos projectos onshore o peso da turbina anda entre os 70 a 80% do custo total do projecto. Temos um LCOE (levelized cost of Electricity – custo equiparado da electricidade) entre os 50 e os 90 € por MWh. Isto mostra o valor atingido actualmente pela eólica que não dista muito das outras fontes de energia convencionais.

O eólico “offshore” caracteriza-se por valores de investimento de 2 a 3 milhões de € por MW instalado, os custos de manutenção e serviço rondam dos 15 aos 33 eur por MWh, enquanto que o LCOE está entre os 75 eur e os 90 eur por MWh. Claramente o custo pode ser pago pelo qualidade do vento. Em termos de total investimento, a turbina eólica pesa apenas 40 a 50% do total do projecto (ou mesmo menos, se falarmos de fundações profundas), o que indica que em termos de instalação temos maiores requisitos.

Na Europa a Dinamarca, Alemanha, Holanda, Bélgica e o Reino Unido são quem tem mais investido no eólico no mar ou na costa visto terem profundidades baixas e mais adequadas para primeiros projectos. Instalações em profundidades maiores ou mesmo em plataformas flutuantes são raras e destaca-se a da Statoil na Noruega.

Em Portugal temos offshore? A resposta é não. Podemos ter offshore? A resposta é sim. Mas vejamos mais detalhe o que significa a eólica offshore em Portugal. Nos seguintes mapas mostra-se qual o recurso disponível e as profundidades da nossa costa e como varia o seu declive.



A plataforma costeira portuguesa tem profundidades que variam entre os 25 e os 200 m com declives baixos (~ 3%). Não temos nenhum recurso eólico de “ouro” no mar, por exemplo o dobro do recurso “onshore”. Além das profundidades ainda temos outras restrições, como as falhas sísmicas, as zonas de zonas de protecção ecológica (ZPE) e outras, as zonas de protecção marítimas muito exclusivas, zona piloto, corredores de navegação, cabos submarinos e eléctricos, o tipo de fundo entre outros. A somar ainda temos como requisitos mais técnicos:

  • conhecimento e experiência em plataformas marítimas
  • conhecimento e experiência de operação de plataformas marítimas
  • conhecimento e experiência em transportes marítimos de grandes dimensões
  • conhecimento e experiência em obras marítimas offshore
  • desenho e engenharia de detalhe para a concepção de projectos offshore


Em termos financeiros é necessário um tarifário que incentive o vento “offshore” tal como incentivou as outras Renováveis e claramente o actual tarifário eólico não chegará.

O LNEG tem desde há bastantes anos feito um trabalho consistente produzindo o Atlas do vento onshore e mais recentemente o Atlas do vento offshore em Portugal, destacando-se a equipa da Investigadora Ana Estanqueiro. O Projecto NORSEWinD pretende nas Berlengas validar os valores do Atlas e desenvolver tecnologias para a exploração do potencial que é estimado entre os 2000 e os 2500 MW.
- na zona Norte do País, particularmente ao largo de Viana do Castelo e do Porto, é possível instalar 500 MW
- na zona Centro, é possível instalar 700 MW, com uma produtividade que chega a 3400 horas/ano.

Segundo este Instituto Nacional o cronograma para o vento offshore é o seguinte, colocando algo mais concreto para 2012 a 2014, sendo 2015 o ano do offshore em termos de instalação:



A tecnologia seleccionada é a flutuante, ou seja os aerogeradores serão instalados a flutuar com bóias ancoradas ao chão. A EDP aposta igualmente nesta tecnologia e mostra-se interessada em ser parceira para esse desenvolvimento. O exemplo maior veio do recente contrato ao largo da Escócia (Moray Firth), com uma capacidade instalada de 1300 MW, representando um investimento de cerca de 4 mil milhões de euros, o que coloca o custo destes sistemas nos 3 milhões por MW, no topo superior dos custos apontados.

Para terminar, parece ser fácil de entender que a equação do aproveitamento do “vento offshore” necessita de ter em conta o recurso – mapeamento existente ou medição – a localização e os constrangimentos associados – mapeamento das áreas adequadas deve ser feito – as necessidades técnicas e as capacidades existentes – necessidade de capacidade a nível nacional ou local para o levar a cabo – e por último tarifário adequado – estimulando o desenvolvimento dos sistemas. Em Portugal pecamos por não ter tradição em muitas destas áreas e por não termos um recurso tão interessante atendendo aos sobrecustos, mas devemos avançar nas zonas adequadas. O esforço nacional deve assentar na criação de projectos nacionais que criem no país mais do que importadores, concessionários ou apenas fábricas. A indústria eólica está montada, não vale a pena ignorá-la, vale sim ir buscar os líderes e criar condições para que se crie valor a nível nacional. Possíveis exemplos serão a Siemens e a Enercon. No “offshore” não devemos cometer os mesmos erros que cometemos no “onshore”.


fonte: PER

publicado por adm às 23:43

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